terça-feira, 22 de setembro de 2009

Da paz que você me deu

"Eu só queria ser salva das pedras, só queria pegar carona nas ondas" - Tati Bernardi

Vem, acaricia meus cabelos e beija minha alma. Me faz sentir esse misto confuso de inquietude e serenidade. No meu coração faz brotar um tormento doce que espanta o vazio oco que antes ocupava todos os espaços. E então chego em casa e enxergo tudo diferente. Os livros na estante todos berram amor. As letras desenham poesia e mesmo os mais confusos textos filosóficos tornam-se doces. Te juro, depois de te ver, é fácil perceber Habermas sorrindo pra mim. Pela janela as outras janelas que antes me sufocavam com seus observadores atrevidos agora são apenas portais para outras realidades, cada uma com sua magia e seu jeito de ser o mundo. A vida com você perto de mim tornou-se ridiculamente perfeita, com tudo exalando o inebriante perfume do amor. E então eu voltei a ter 15 anos, a acreditar em romances e em conto de fadas. Perdi o medo do ridículo, perdi a noção de piegas. Não sei mais disfarçar ou fingir sentimentos. Apenas sinto. E sinto tão intensamente que tudo transborda. É amor que estoura tudo, arrebenta, explode e ao mesmo tempo emana paz infinita.

Pode ser mesmo que isso passe. Que você vá embora, saia por aquela porta e nunca mais volte. Que se afaste de mim e na distância encontre aconchego em outros braços e prazer em outros beijos. Pensar nisso me deixa paralizada de pavor, em pânico. E sinto meu colo vazio, minha boca sem você. Então olho no fundo dos seus olhos e decido arriscar. Porque não importa o que aconteça você já terá transformado minha alma. E então já serão milhões de quilômetros de vantagem: é a simples possibilidade de viver algo pelo qual todos passam a vida toda procurando. Eu encontrei.

Você não sabe, mas acabou de me salvar. Do tédio, da desilusão. Da derrota de acordar todos os dias com um gosto amargo da vida na boca e levantar com o corpo ainda pesado dos remédios que com dificuldade me faziam dormir. Você veio com mãos suaves e firmes e me despiu da armadura que construí em volta de mim para proteger meu coração. Me encontrou tão vulnerável, tão frágil... E ao mesmo tempo despertou em mim uma força e uma coragem para mudar o mundo que eu nem lembrava mais que poderia ter.

Eu quero que seja para sempre essa minha vontade de sorrir para todas as pessoas e perdoar todo mundo. Que seja para sempre essa minha capacidade de agradecer a atendente de telemarketing que normalmente me irritaria. Que eu não tenha medo das contas vencendo, nem dos problemas que atormentam minha vida. Só quero que seja para sempre essa paz que sinto quando te abraço, essa tranquilidade de viver que toma conta de mim. Porque afinal de contas não importa o problema que eu tenha durante o dia, à noite vou te ver e nada mais disso tem importância.

No fundo ainda sou a mesma mulher complicada, confusa e maluca que você conheceu há alguns anos atrás. A mesma menina boba e medrosa. Por isso peço para que não desista de mim. Que não se assuste quando eu não consigo ser sutil e falo na lata que te amo porque amo mesmo. Não fuja da minha intensidade assustadora, das minhas explosões. Sou toda assim: entrega, escândalo e barulho. E se consigo hoje ser também paz e serenidade, é porque você acalma meu coração.

Fiz as pazes com casais apaixonados que passeiam no parque, com os pombos que voam perto da minha janela, com o Ovomaltine caprichado de calda e coisas crocantes. Perdi mesmo o medo de ser ridícula, louca, apaixonada. Abandonei meu desprezo por aqueles que declaram seu amor no meio da rua: hoje respeito quem tem a coragem de amar. Isso tudo porque você saiu da sua casa, do seu país e veio aqui no meio do cerrado me libertar. Pronto. Estou liberta. Finalmente livre de mim mesma para ser muito mais.

3 comentários:

meias coloridas disse...

Meu Deeeeeeeus! Isso que é um desabafo repleto de poesia. Não tenho dúvida nenhuma sobre sua plenitude espiritual. Espero que ela dure por muito e muito tempo. Sua felicidade me contagia e me tira do poço onde estou.
Estou feliz por vc, managêma!
Beijo

CenouraVerde disse...

Uma coisa é certa. O asilo jornalístico catedrático ribonucléico é mais uma página virada.

Edilaine disse...

Constrangeu o capeta!!! Rs.. Gracinha!!!